Adotei recentemente uma tática já conhecida por muitos, mas que pouco usei na vida. Acredito que ontem tenha sido a minha segunda vez.
Eu sou phd em me perder na cidade de São Paulo. Bem, não é só na cidade de São Paulo, me perco no meu próprio bairro. Sou capaz de dar uma volta no quarteirão, e me perder.
Ontem fui ao centro da cidade. Quer coisa mais insana que o centro?
Muita gente fala ao mesmo tempo, e pra mim aquilo que eles falam é um outro idioma. Algum dialeto urbano que eu não saberia classificar. Ao sair do metrô um homem pergunta se eu quero tirar fotos. Automaticamente digo que não sou modelo. Ele riu.
Me ofereceram de tudo em menos de dois minutos. A variedade de artigos é assustadora.
Andei, andei, andei, e me perdi. Não sabia como voltar ao metrô. Não tinha placa dizendo “Vivi, o metrô é logo ali”. Não tive dúvidas, perguntei. Mas convenhamos, se perder na própria cidade é algo muito humilhante. Então, incorporei meu lado mineiro.
Descobri que quando pedimos informação com outro sotaque, as pessoas são mais solícitas. A senhora só faltou pagar a minha passagem:
- Filha, estou indo pra lá. Vamos juntas.
Durante três quadras ela só perguntava da minha magnífica cidade, Belo Horizonte. Nunca fui à Belo Horizonte. E a senhora, que provavelmente era formada em turismo, sabia de tudo. Internamente eu torcia para que o metrô chegasse logo. E internamente torcia para que ela fosse para o outro lado da cidade, de preferência bem longe do meu caminho. Não conseguiria manter a minha mentira por muito tempo.
Deus foi magnânimo, e ela seguiu para a Marechal. Eu segui feliz sentido Jabaquara.
Se eu tivesse dito que eu era nativa, será que a recepção seria a mesma?
E no final ela disse que eu precisava conhecer o Masp. Sabe, que ela tem razão. Não me lembro da última vez que fui ao Masp.
Acho que semana que vem serei turista na minha cidade. Quem sabe eu conheço um pouco da selva de pedra?