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Fim de ano
Bem, é período de festas. Eu estou indo para Floripa. Não sei quando volto. Sendo assim, este espaço pode ficar alguns dias sem ser atualizado.
Mas antes de ir-me, vim fazer aquele clichê natalino e de ano novo.
Desejo aos leitores deste magnífico clássico da literatura moderna, e com conteúdo (até parece)...
Um excelente 2008 repleto de realizações, paz, amor, harmonia, alegrias e toda aquela coisa que se deseja.
Queria agradecer a paciência em ler, e ainda, comentar neste blog. Quando ele começou, no ano de 2005, eu imaginei que ninguém fosse se dar ao luxo de ler. E nesses dois anos de blog, muita gente legal apareceu, leu e comentou. Obrigada!
Aliás, no ano de 2008 espero conhecer muitos dos que comentam aqui.
Este ano não fiz lista para o próximo ano. A minha filosofia para 2008 é: Se nada der certo, viro hippie.
Até breve, leitores (chiquérrimo escrever isso).
Escrito por Vivi´s às 15h35
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Adeus
Fechei uma porta. Mas outras, com certeza, se abrirão.
Guardei minhas fotos que estavam espalhadas pela minha mesa, guardei minha canetas coloridas, peguei minha agenda, e coloquei tudo em uma caixa.
Além das coisas físicas, na caixinha tem seis anos de uma vida. Seis anos de muitas risadas, momentos descontraídos, abraços, companheirismo e amizade. Só que essas coisas não ficarão na caixinha, estão bem dentro do meu coração.
Pela última vez tomei o cafezinho da Ângela, falei mal da minha chefe, xinguei o sistema, e reclamei dos quinhentos e-mails que recebo diariamente.
Pela última vez desligarei o computador logo depois que terminar essas linhas. Apagarei a luz, e recomeçarei a minha vida profissional. Onde? Não faço idéia. Mas recomeçarei.
E os e-mails recebidos hoje provaram que nada foi em vão:
Acredito que nem são necessárias palavras para expressar todo o carinho, afeto e amor que tenho por ti!
Difícil será o dia a dia sem tua presença que irradia alegria, mas tudo bem, suportarei!
Quero que Papai do Céu te abra não só uma porta, mas um portal de oportunidades para sua nova fase, a qual tenho certeza de que será maravilhosa, assim como vc!!!!!!
Paula.
Vivi,
Obrigadaaaaa!!
Vc com certeza me ensinou muitoooooooo!!
Obrigada por me alegrar e ter feito diferença!
Bjossss
Muitaaaaaaaaaassss felicidade e conquistassssssssssss!!!!!!!!!!
Andréa.
Querida, estou triste, mas ao mesmo tempo fico torcendo por você. Afinal de contas, você é uma pessoa muito inteligente!!
Você tem um futuro belíssimo para trilhar.
Estarei torcendo pela sua vitória.
Adoro você de coração.
Não esqueça de mim!!!
Te desejo toda sorte do mundo!!!!
Bjs.
Sandra Alves
Trabalhamos, mas também rimos muito, e podemos dizer que se Deus nos concedesse mais um pouco de vida ao seu lado, morreríamos de tanto rir. Neste momento palavras perdem o sentido diante das lágrimas contidas na saudades que iremos sentir, mas sorriso é o que te demonstraremos neste instante por ser o motivo deste até logo, a realização de mais uma vitória em sua vida.
Hoje é apenas a última vez que você verá as pessoas que conviveu no trabalho, mas o início de uma vida de convivência de amigos eternos, Jorge.
Acho que valeu a pena. Adeus.
Escrito por Vivi´s às 18h43
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Saudades do que não foi
Eu tenho inveja dos amantes.
Tenho inveja daquele amor juvenil.
Tenho inveja do frio na barriga, da troca de olhares, dos sorrisos sem grandes motivos.
Andar de mãos dadas despreocupadamente. Achar que o mundo poderia acabar naquele momento, que tudo teria valido a pena.
Sinto falta de algo que nunca tive.
Sinto falta do amor adolescente que nunca chegou.
Saudade de uma vida que nunca foi a minha.
Vontade de voltar no tempo e ter aquilo que eu não tive.
Um bilhete escrito na folha de fichário.
Uma rosa deixada sobre a carteira do colégio.
A dança de rosto colado no bailinho.
O medo de perder o grande amor.
A vontade de ouvir a nossa música mil vezes, e ainda se emocionar.
Gritar para o mundo inteiro ouvir o quanto é bom ouvir a sua voz, o quanto é bom sentir o seu beijo, cheiro, gosto.
Rir à toa e não se sentir boba.
Sorrir para a vida.
Ser brega, e nem se importar.
Ter algo de bom para contar, e saber que só aquela pessoa merece ouvir.
Ver o dia nascer, e saber que aquele dia é o dia de encontra-lo. Filme, acho que vejo muito filme. É isso.
Escrito por Vivi´s às 16h57
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Histórias para carregar
Os pés já estavam calejados e doloridos. As mãos estavam ásperas. Os fios negros eram escassos, uma pequena lembrança de outrora. O rosto tinha muita expressão. Se cada ruga daquele rosto pudesse contar sua história, talvez resumisse o sentimento da humanidade. Porque os seres humanos são diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais, que não seria muito difícil se emocionar, ou até mesmo rir de suas histórias. Porque em algum momento lembraríamos de nós mesmos.
O andar cansado, sobre os ombros carregava suas memórias. Um saco sujo repleto de papéis escritos à mão. Porque quem melhor do que nós para escrevermos nossa história? E foi isso que ele fez durante sua vida, desde o dia em que aprendera a escrever, escreveu sua vida.
Passava dias contemplando o mundo, e o que ele achava de mais interessante em todo o universo, o homem. Anotava os trejeitos, a forma de falar, os sorrisos, as expressões, histórias tristes, alegres, de amor. Porque de certa forma, tudo que via fazia parte de sua vida. Tornou-se um admirador da máquina humana e sua principal engrenagem, o cérebro.
Andou pela vida. Andou por todos os lugares que seus pés puderam alcançar. Conheceu pessoas e lugares que nem em sua imaginação, acreditava existir.
Viveu da bondade alheia, e de doações de pessoas que gostavam de ouvir suas histórias.
Com o tempo ele foi percebendo que as histórias que as pessoas mais gostavam, eram as de amor. As mulheres suspiravam, e os homens também. Claro que de uma forma muito mais discreta, mas suspiraram. Chegou a ver até as lágrimas de alguns.
Agora ele estava velho. Seus pés já não podiam leva-lo para lugar algum. Até mesmo porque não havia um lugar que ele quisesse ficar. Não havia vínculos, não havia família, não havia ninguém. Apenas ele e suas histórias para contar para quem quisesse ouvir. Por alguns instantes quis ser personagem de suas histórias. Quis poder ter a sua história de amor para contar. Mas ficou tão preocupado com o que estava ao seu redor, escreveu tanto sobre os outros, que esqueceu dele. Notou que escreveu a vida dos outros, não a dele.
Encostado na árvore do sítio das roseiras, ele lia seus escritos. Uma página voou.
“Hoje eu senti que a felicidade existe. Existe nos olhos de Clara. Ela ouvia cada história como se fosse um tango, sedutor, envolvente, fascinante. Seus olhos brilhavam. Eu seria capaz de adivinhar seus pensamentos. E talvez ela os meus. Eu estava extasiado com tamanha beleza”.
O céu alaranjado de Goiás se despedia dando lugar à noite estrelada.
Amanheceu. Ele já não estava mais lá. No lugar onde estava sentado, seu saco repleto de histórias. Algumas borboletas sobrevoavam a árvore.
A árvore ficou conhecida como “Leocádio”. Ali ele havia sumido. Não se sabe se ele morreu. O que se sabe é que todos finais de tarde as borboletas sobrevoam a copa da árvore. Dizem que os que dormem debaixo daquela árvore, sonham com as histórias de Leocádio.
Escrito por Vivi´s às 19h16
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Espírito natalino
Tem presentes que a gente não esquece. Estávamos num momento “Memórias dos Natais da família jogo de louça” (meu sobrenome é Pires).
Acho que eu deveria ter no máximo cinco anos de idade. Ninguém soube precisar exatamente a data em que isso aconteceu. Pedi para o Papai Noel uma piscina de plástico. Na década de oitenta, você não era ninguém sem uma piscina de plástico. Ao menos na minha rua era assim.
Ainda não era nem meia noite quando ouvi a risada dele, o famoso ho-ho-ho. Corri para o portão. Meus olhos não acreditavam no que eu via. Era o Papai Noel. Até então nunca tínhamos nos encontrado. Ele deixava os presentes de madrugada, e eu ainda estava dormindo. Naquele ano ele foi ousado, apareceu pra mim.
Arrastava a tal piscina que eu havia pedido. Era simplesmente inacreditável ver um Papai Noel afro-descendente carregando uma piscina de plástico. Pouco me atentei ao detalhe racial do nosso Papai Noel, que nem tinha barriga, e era muito alto para o Papai Noel que eu idealizava. Ele poderia ser asiático que eu nem ligaria. Ele carregava a minha piscina!
No dia seguinte fiz meu pai montá-la. Ela foi a minha diversão naquele verão.
No ano seguinte eu ganhei a minha primeira bicicleta. Uma caloi cecizinha vermelha com rodinhas traseiras e cesto. A felicidade não cabia em mim quando a vi na sala. Passei a noite de Natal inteira rodando no quintal com ela. No dia seguinte fiz meu pai, ele mais uma vez, me levar ao parque.
Depois veio a perna de pau, o lango-lango, o pogo ball, a família coração, o boca rica, cara-cara, war, banco imobiliário, detetive e muitos outros brinquedos.
Aí eu cresci, deixei de acreditar em Papai Noel, e tudo aquilo que era muito legal, deixou de fazer parte do meu Natal.
Meu último presente surpreendente foi uma vitrola aos onze anos de idade.
Este ano depois da Stephane me encher muito o saco, eu escrevi um e-mail para o Papai Noel. Quando eu disse que tinha escrito o e-mail, ela morreu de rir. Disse que eu tinha que fazer cartinha. Ela não acredita mais, mas não dispensa uma cartinha para o “Papai Noel”. Quando ela me perguntou para qual e-mail eu tinha mandando, eu não pensei duas vezes, passei o e-mail da minha mãe.
Ela desacreditou. Riu, e disse: “Di, você é mais esperta que eu. Acho que vou mandar um e-mail para a mamãe”.
A ajudei a fazer o e-mail. Ainda anexamos as imagens dos brinquedos, para não restar dúvidas. No final ela ainda escreveu. “Eles parcelam em dez vezes sem juros no cartão de crédito!”. Rimos mais uma vez da nossa traquinagem.
E foi com os e-mails impressos que sentamos na sala, e conversamos durante horas sobre os Natais da nossa família.
Sabe, Papai Noel pode até não existir, mas hoje ele animou nossa reunião lembrando de quantas pessoas aqui de casa já pagaram o mico em vestir a fantasia vermelha.
Ah, descobri que o Papai Noel que me trouxe a piscina era um funcionário da minha mãe. Não deve ser fácil trabalhar com a Dona Augusta!

Dona Augusta e eu.
Escrito por Vivi´s às 01h20
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