Foi no dia 1º de abril. Um dia ótimo para se começar num emprego. O dia da mentira. Parecia mentira que eu começaria a trabalha em uma das maiores revistas do mundo.
Parecia maravilhoso. Deixei de dar aulas para entrar em uma carreira promissora em uma grande empresa americana. Na teoria tudo é lindo. Na prática, um pesadelo.
No começo a gente acredita, acha que vai ser promovido, vai ganhar dinheiro, status e toda aquela coisa capitalista do sonho americano. Com o tempo o sonho vai morrendo, até o dia em que a lápide fica pronta, e é só enterrar.
Só agora me dei conta que passei seis anos da minha vida naquele escritório. E agora, que está chegando ao fim, me peguei em pensamentos saudosistas.
Lá fiz muitos amigos. Amigos de verdade, daqueles que você sabe que pode contar quando as coisas não vão muito bem. Pessoas que me deram apoio nos momentos em que eu mais precisei. Alguns saíram, outros entraram, mas as amizades que conquistei ali, serão eternas.
Vou sentir falta do computador velho de guerra que já me deixou na mão várias vezes. Das brigas que tive com a impressora, dos cafés gostosos da Ângela, do espírito coletivo e companheirismo que vi em poucos lugares.
Não vou esquecer do sorriso sempre generoso da Paulinha, da falta de objetividade da Aline, dos estresses homéricos da chefe Isabela (que carinhosamente chamamos de Miranda), das risadas nervosas da Andréia (Guigui), dos abraços, sorrisos e confidências feitas nas sextas-feiras em bares do bairro. Do cigarrinho compartilhado na hora do café. Momentos inesquecíveis, com pessoas tão inesquecíveis quanto os momentos. Mas chega uma hora que é preciso um pouco mais. E ali, o pouco mais jamais existiria.
E como o destino é engraçado, tirei a chefe no amigo secreto. A chefe com quem eu briguei este último ano, a chefe que gritou comigo, e eu mandei à merda, a chefe que me entendeu quando eu faltava para ir em entrevistas de emprego, a chefe que deixou de ser chefe e virou amiga. A chefe que no enterro do meu pai disse que a vida é assim mesmo, mas o importante era ter amigos, e que eu poderia sempre contar com ela. Apesar das desavenças, que não foram poucas, todas têm seu lugar mais que especial na minha vida, e no meu coração.
E é assim que finaliza a história de seis anos na Revista Newsweek International. Com a lição de que tudo não foi em vão. E que as lições ali aprendidas me seguirão para o resto da minha vida.
Obrigada à todas que fizeram parte desta história.