Tudo a Declarar
   Graneiro

O caminhão da Graneiro passou. Este blog será extinto. Mudei para melhor atendê-los. É com aperto no coração que me despeço do Tudo a Declarar. Amigo inseparável nos últimos dois anos e seis meses.

Espero poder contar com os amigos no novo blog.

Pretérito Passado.

 



Escrito por Vivi´s às 02h13
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   Temporariamente

Este blog ficará temporariamente fora do ar.

Para melhor atendê-los, estamos reformulando o blog.

Em breve teremos novidades.



Escrito por Vivi´s às 11h12
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   Barraco - Eu acredito é na rapaziada!

 

 

 

Tem dias que é melhor ficar em casa.

Ontem fui ao Sarajevo. Abaixo tem o e-mail que mandei para a casa.

Sei que consegui sair de lá às 6:00 da manhã, depois de chamar a polícia, e alegar cárcere privado.

Lógico, teve barraco, eu quase agredi a gerente do bar, movimentei a casa inteira. Todos fizeram um manifesto dentro da casa porque eles estavam segurando meus documentos. Rezaram o Pai Nosso na sala da gerência, cantaram o Hino Nacional, aquela farofa.

Tirando todo o estresse, até que foi engraçado. O mais hilário foi a casa ficando vazia assim que eu gritei: Já chamei a polícia, e eles estão chegando.

A gerente me chamou de querida, e a mandei tomar no cu na frente do sargento, que inesperadamente me apoiou. “Ela é sua amiga para ser chamada de querida?”

E ainda tomei cantada do sargento:

“- Senhorita Viviane, com todo respeito, você é muito bonita!”

Sai de lá com o saldo devedor de R$ 50, 00, sendo que eu nem havia consumido nada.

Bem, este foi o preço para não ficar até meio-dia na delegacia.

 

 

Prezados,
 
Ontem estive no bar. Bar este que eu já freqüento há algum tempo.
Infelizmente tive um imprevisto. Perdi minha comanda logo no começo da noite. Assim que percebi a falta, que foi logo, avisei a gerência da casa, que me orientou a avisar os bares e os seguranças. Fiz exatamente o que a Juliana (gerente) mandou. Ela me informou que a possibilidade de encontrarem a minha comanda era muito grande, o que de certa forma me tranqüilizou. Já cansada, no final da noite, voltei a falar com ela. A comanda não havia sido encontrada. Segundo ela, de acordo com o que estava escrito na mesma, eu teria que pagar a quantia de R$ 300,00 pelo sumiço.
Óbvio que eu não tinha esta quantia. Tentei argumentar, sem sucesso, que eu havia informado o sumiço logo no começo da noite, e que se ela pudesse verificar no sistema da casa, eu ainda nem tinha consumido nada. Ela me informou que isso era impossível.
Enfim, não vou escrever uma bíblia sobre este tema. Acredito que a casa tenha interesse em melhorar, e acho que o serviço de comanda é muito falho.
A funcionária foi intransigente, mal-educada, pouco solícita e extremamente grossa. Tenho absoluta certeza que estes adjetivos não são dados somente por mim. Pois tive a oportunidade de conversar com outros freqüentadores, e a opinião é a mesma. Se ela trabalha com o público, o mínimo que deveria ter era educação. Afinal de contas, ela como gerente, é a imagem da casa. Sendo assim, a imagem é péssima.
Eu, e muitos amigos, que estavam presentes, nos recusamos a freqüentar a casa enquanto a gerência for da senhorita Juliana.
Bem, o final da história foi com a polícia adentrando ao local. O que denigre muitíssimo a moral da casa.
No mais, os outros funcionários foram muito solícitos e educados. Gostaria de agradecê-los pelo excelente serviço prestado, principalmente da segurança (que eu não me recordo o nome).
Se escrevo o e-mail é porque gosto da casa, e não gostaria de deixar de freqüenta-la.
 
Atenciosamente,
Viviane Pires.


Escrito por Vivi´s às 17h00
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   Terapia do tanque

É só não termos algo, que passamos a precisar.

Uma vez quase morri de cólica renal, se precisasse do SUS, teria morrido de dor.

Voltei de Floripa com desarranjo intestinal, vugo, diarréia.  Tive febre também.

Como sou uma desocupada, passo o dia lendo qualquer coisa, ou assistindo televisão.

E a propaganda toda hora falava sobre os sintomas da dengue. Automaticamente comecei a sentir tudo. Foi em questão de minutos. Diagnostiquei-me com dengue.

Pensava no hospital do Ipiranga (público), e só tinha vontade de chorar. Além de estar com dengue, vou ter que disputar o metro quadrado no corredor do hospital.

Cheguei até a ver a manchete no “Agora”: Mulher morre de dengue no hospital Ipiranga. Só de pensar nesta possibilidade, meu sangue fervia.

Eu tinha o plano de saúde top de linha, aqueles master-gold-mega-plus-síriolibanês-etudoqueeutenhodireito. Agora eu estava no sofá, com dengue, e quando eu mais precisava de todo aquele conforto, eu não tinha mais.

E este pensamento só aumentava o desarranjo.

No jornal passou uma matéria falando da febre amarela. Mudei meu diagnóstico. Eu estava com febre amarela.

Liguei para minha mãe:

-          Mãe, acho que estou com febre amarela.

-          Vai lavar um tanque de roupa suja que passa.

-          Eu vou morrer!

-          Deixe para morrer amanhã cedo, hoje meu expediente está acabando. Amanhã é um bom dia, tenho reunião.

Como ela é uma pessoa sem coração. Deus me livre! Eu com febre amarela, cólera ou dengue, e ela fazendo piada.

Decidi que isso não era vida, e resolvi fazer um novo plano de saúde. E todos os sintomas, como um passe de mágica, passaram.

Todo dia pergunto ao Seu João se chegou correspondência. Espero não ter nada até a carteirinha chegar. Acho que vou parar de ver televisão.

Escrito por Vivi´s às 01h50
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   Uma estranha no ninho

 

Adotei recentemente uma tática já conhecida por muitos, mas que pouco usei na vida. Acredito que ontem tenha sido a minha segunda vez.

Eu sou phd em me perder na cidade de São Paulo. Bem, não é só na cidade de São Paulo, me perco no meu próprio bairro. Sou capaz de dar uma volta no quarteirão, e me perder.

Ontem fui ao centro da cidade. Quer coisa mais insana que o centro?

Muita gente fala ao mesmo tempo, e pra mim aquilo que eles falam é um outro idioma. Algum dialeto urbano que eu não saberia classificar. Ao sair do metrô um homem pergunta se eu quero tirar fotos. Automaticamente digo que não sou modelo. Ele riu.

Me ofereceram de tudo em menos de dois minutos. A variedade de artigos é assustadora.

Andei, andei, andei, e me perdi. Não sabia como voltar ao metrô. Não tinha placa dizendo “Vivi, o metrô é logo ali”. Não tive dúvidas, perguntei. Mas convenhamos, se perder na própria cidade é algo muito humilhante. Então, incorporei meu lado mineiro.

Descobri que quando pedimos informação com outro sotaque, as pessoas são mais solícitas. A senhora só faltou pagar a minha passagem:

-          Filha, estou indo pra lá. Vamos juntas.

Durante três quadras ela só perguntava da minha magnífica cidade, Belo Horizonte. Nunca fui à Belo Horizonte. E a senhora, que provavelmente era formada em turismo, sabia de tudo. Internamente eu torcia para que o metrô chegasse logo. E internamente torcia para que ela fosse para o outro lado da cidade, de preferência bem longe do meu caminho. Não conseguiria manter a minha mentira por muito tempo.

Deus foi magnânimo, e ela seguiu para a Marechal. Eu segui feliz sentido Jabaquara.

Se eu tivesse dito que eu era nativa, será que a recepção seria a mesma?

E no final ela disse que eu precisava conhecer o Masp. Sabe, que ela tem razão. Não me lembro da última vez que fui ao Masp.

Acho que semana que vem serei turista na minha cidade. Quem sabe eu conheço um pouco da selva de pedra?



Escrito por Vivi´s às 23h03
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   Aquele abraço

Tudo que é bom dura pouco. Adeus Ilha, até breve!

Chega de férias. Amanhã eu volto a atualizar este espaço democrático. Tem alguém aí?



Escrito por Vivi´s às 01h43
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   Diário de Floripa

O lugar é simplesmente maravilhoso. Ando meio quarteirão e já estou na praia da Joaquina.

Dá vontade de não voltar mais. As companhias são fantásticas. Desde que cheguei, não houve um dia de tédio. Estava mesmo precisando de férias. Montamos um bar na sala com direito a som ao vivo. Na verdade fizemos uma banda. Ontem tivemos a participação especial de um pianista que estava de passagem por essas bandas, e decidiu dar uma canja. Já rolou todo tipo de festa. Ontem mesmo fizemos uma rave no jardim.

Além do clima Big Brother que habita a residência das festas, os passeios por essas bandas não são nada desagradáveis. Hoje almoçamos na lagoa. Em um restaurante chamado "Barra da Lagoa". Para chegar lá, andamos quarenta minutos de barco. Descobri que nõ tenho estômago para pequenas embarcações. Molhando meu pezinho na água da lagoa tenho uma visão, um homem MARAVILHOSO. Costas largas, braços definidos, uma aparição. Comento com as minhas amigas. Como sou míope, não vi o rosto. O ser humano de corpo perfeito era nada mais, nada menos que o Giba da seleção de vôlei.

No final do dia, a vista do bar Degrau, onde tem cervejas para todos os gostos, é simplesmente uma catarse. Vale a pena perder alguns minutos observando em silêncio absoluto.

Putz, sei não, mas esta ilha me ganhou. Disparada uma das melhores férias dos últimos tempos.

Até mais pessoas.



Escrito por Vivi´s às 02h44
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   Notícias de Floripa

A viagem foi tranquila. Dez horas de carro até aqui. E depois de Registro, a estrada até que fica boa. E o melhor, nenhum pedágio. Dependendo do carro, dá para vir para Floripa com R$ 80,00. Se o planejamento for bom, e o meu é, dá para se divertir pra carmba, e gastar menos do que o esperado.  

No caminho tiveram as famosas paradas . A comida daqui é fantástica, tirando o x-bacon. Ontem fui comer num restaurante perto da Lagoa da Conceição. A maior porção de camarão que já comi na minha vida. E o melhor, baratíssimo. Comi frutos do mar até meu c%$# fazer bico, e gastei a bagatela de R$ 25,00! Em São Paulo isso jamais aconteceria.

Penso seriamente em não sair da Ilha da Magiaestratégicas para aliviar a carga líquida, e toda aquela coisa necessária. Duas coisas me chamaram a atenção por aqui. Nunca, em toda a minha vida, vi banheiros públicos tão limpos!

A outra foi o x-bacon. Morrendo de fome, no Estado do Paraná, pedi um x-bacon. Na minha terra, x-bacon tem: hamburguer, bacon e queijo.

Aqui: Bacon, hamburguer, queijo, ervilha, picles, milho, ervilha, batata palha, dentre outros ingredientes que eu definitivamente não consegui decifrar. Que porra de x-bacon é esse????

A mulher que me atendeu, disse que no sul inteiro é assim. Esta foi uma informação extremamente necessária. Sou INSUPORTÁVEL para comer, e odeio ervilha e milho.

Outra coisa bem legal, além dos banheiros, claro. A comida. O lugar é simplesmente maravilhoso. No momento em que escrevo, saboreio uma porção de lula fresca, e tomo uma cerveja.

Portanto, se houver erros de português, relevem, bebi demais!

Fora que é  maior concentração de gente bonita por metro quadrado. Tudo bem, é temporada. Mas ontem fui no posto, e o frentista é maravilhoso. Conclusão, virei freguesa. Acho que viveria bem tendo que abastecer o carro com aquele frentista.

E a saga continua. Semana que vem irei numa praia de nudismo. Não, não publicarei fotos! Tenho respeito ao próximo!

E se tu tiveres paciência, atualizarei sempre que possível.

Beijos, queridos (aqui todo mundo é querido - impressionante).

 



Escrito por Vivi´s às 17h08
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   Fim de ano

 

Bem, é período de festas. Eu estou indo para Floripa. Não sei quando volto. Sendo assim, este espaço pode ficar alguns dias sem ser atualizado.

Mas antes de ir-me, vim fazer aquele clichê natalino e de ano novo.

Desejo aos leitores deste magnífico clássico da literatura moderna, e com conteúdo (até parece)...

Um excelente 2008 repleto de realizações, paz, amor, harmonia, alegrias e toda aquela coisa que se deseja.

Queria agradecer a paciência em ler, e ainda, comentar neste blog. Quando ele começou, no ano de 2005, eu imaginei que ninguém fosse se dar ao luxo de ler. E nesses dois anos de blog, muita gente legal apareceu, leu e comentou. Obrigada!

Aliás, no ano de 2008 espero conhecer muitos dos que comentam aqui.

Este ano não fiz lista para o próximo ano. A minha filosofia para 2008 é: Se nada der certo, viro hippie.

Até breve, leitores (chiquérrimo escrever isso).



Escrito por Vivi´s às 15h35
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   Adeus

Fechei uma porta. Mas outras, com certeza, se abrirão.

Guardei minhas fotos que estavam espalhadas pela minha mesa, guardei minha canetas coloridas, peguei minha agenda, e coloquei tudo em uma caixa.

Além das coisas físicas, na caixinha tem seis anos de uma vida. Seis anos de muitas risadas, momentos descontraídos, abraços, companheirismo e amizade. Só que essas coisas não ficarão na caixinha, estão bem dentro do meu coração.

Pela última vez tomei o cafezinho da Ângela, falei mal da minha chefe, xinguei o sistema, e reclamei dos quinhentos e-mails que recebo diariamente.

Pela última vez desligarei o computador logo depois que terminar essas linhas. Apagarei a luz, e recomeçarei a minha vida profissional. Onde? Não faço idéia. Mas recomeçarei.

E os e-mails recebidos hoje provaram que nada foi em vão:

 

 

Acredito que nem são necessárias palavras para expressar todo o carinho, afeto e amor que tenho por ti!

Difícil será o dia a dia sem tua presença que irradia alegria, mas tudo bem, suportarei!

Quero que Papai do Céu te abra não só uma porta, mas um portal de oportunidades para sua nova fase, a qual tenho certeza de que será maravilhosa, assim como vc!!!!!!

Paula.

 

Vivi,

Obrigadaaaaa!!

Vc com certeza me ensinou muitoooooooo!!

Obrigada por me alegrar e ter feito diferença!

Bjossss

Muitaaaaaaaaaassss  felicidade e conquistassssssssssss!!!!!!!!!!

Andréa.

Querida, estou triste, mas ao mesmo tempo fico torcendo por você. Afinal de contas, você é uma pessoa muito inteligente!!

Você tem um futuro belíssimo para trilhar.

Estarei torcendo pela sua vitória.

Adoro você de coração.

Não esqueça de mim!!!

Te desejo toda sorte do mundo!!!!

Bjs.

Sandra Alves

 

Trabalhamos, mas também rimos muito, e podemos dizer que se Deus nos concedesse mais um pouco de vida ao seu lado, morreríamos de tanto rir.
Neste momento palavras perdem o sentido diante das lágrimas contidas na saudades que iremos sentir, mas sorriso é o que te demonstraremos neste instante por ser o motivo deste até logo, a realização de mais uma vitória em sua vida. 

Hoje é apenas a última vez que você verá as pessoas que conviveu no trabalho, mas o início de uma vida de convivência de amigos eternos, Jorge.

 

Acho que valeu a pena.

Adeus.

Escrito por Vivi´s às 18h43
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   Saudades do que não foi

Eu tenho inveja dos amantes.

Tenho inveja daquele amor juvenil.

Tenho inveja do frio na barriga, da troca de olhares, dos sorrisos sem grandes motivos.

Andar de mãos dadas despreocupadamente. Achar que o mundo poderia acabar naquele momento, que tudo teria valido a pena.

Sinto falta de algo que nunca tive.

Sinto falta do amor adolescente que nunca chegou.

Saudade de uma vida que nunca foi a minha.

Vontade de voltar no tempo e ter aquilo que eu não tive.

Um bilhete escrito na folha de fichário.

Uma rosa deixada sobre a carteira do colégio.

A dança de rosto colado no bailinho.

O medo de perder o grande amor.

A vontade de ouvir a nossa música mil vezes, e ainda se emocionar.

Gritar para o mundo inteiro ouvir o quanto é bom ouvir a sua voz, o quanto é bom sentir o seu beijo, cheiro, gosto.

Rir à toa e não se sentir boba.

Sorrir para a vida.

Ser brega, e nem se importar.

Ter algo de bom para contar, e saber que só aquela pessoa merece ouvir.

Ver o dia nascer, e saber que aquele dia é o dia de encontra-lo.

Filme, acho que vejo muito filme. É isso.

Escrito por Vivi´s às 16h57
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   Histórias para carregar

 

 

Os pés já estavam calejados e doloridos. As mãos estavam ásperas. Os fios negros eram escassos, uma pequena lembrança de outrora. O rosto tinha muita expressão. Se cada ruga daquele rosto pudesse contar sua história, talvez resumisse o sentimento da humanidade. Porque os seres humanos são diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais, que não seria muito difícil se emocionar, ou até mesmo rir de suas histórias. Porque em algum momento lembraríamos de nós mesmos.

O andar cansado, sobre os ombros carregava suas memórias. Um saco sujo repleto de papéis escritos à mão. Porque quem melhor do que nós para escrevermos nossa história? E foi isso que ele fez durante sua vida, desde o dia em que aprendera a escrever, escreveu sua vida.

Passava dias contemplando o mundo, e o que ele achava de mais interessante em todo o universo, o homem. Anotava os trejeitos, a forma de falar, os sorrisos, as expressões, histórias tristes, alegres, de amor. Porque de certa forma, tudo que via fazia parte de sua vida. Tornou-se um admirador da máquina humana e sua principal engrenagem, o cérebro.

Andou pela vida. Andou por todos os lugares que seus pés puderam alcançar. Conheceu pessoas e lugares que nem em sua imaginação, acreditava existir.

Viveu da bondade alheia, e de doações de pessoas que gostavam de ouvir suas histórias.

Com o tempo ele foi percebendo que as histórias que as pessoas mais gostavam, eram as de amor. As mulheres suspiravam, e os homens também. Claro que de uma forma muito mais discreta, mas suspiraram. Chegou a ver até as lágrimas de alguns.

Agora ele estava velho. Seus pés já não podiam leva-lo para lugar algum. Até mesmo porque não havia um lugar que ele quisesse ficar. Não havia vínculos, não havia família, não havia ninguém. Apenas ele e suas histórias para contar para quem quisesse ouvir. Por alguns instantes quis ser personagem de suas histórias. Quis poder ter a sua história de amor para contar. Mas ficou tão preocupado com o que estava ao seu redor, escreveu tanto sobre os outros, que esqueceu dele. Notou que escreveu a vida dos outros, não a dele.

Encostado na árvore do sítio das roseiras, ele lia seus escritos. Uma página voou.

“Hoje eu senti que a felicidade existe. Existe nos olhos de Clara. Ela ouvia cada história como se fosse um tango, sedutor, envolvente, fascinante. Seus olhos brilhavam. Eu seria capaz de adivinhar seus pensamentos. E talvez ela os meus. Eu estava extasiado com tamanha beleza”.

O céu alaranjado de Goiás se despedia dando lugar à noite estrelada.

Amanheceu. Ele já não estava mais lá. No lugar onde estava sentado, seu saco repleto de histórias. Algumas borboletas sobrevoavam a árvore.

A árvore ficou conhecida como “Leocádio”. Ali ele havia sumido. Não se sabe se ele morreu. O que se sabe é que todos finais de tarde as borboletas sobrevoam a copa da árvore. Dizem que os que dormem debaixo daquela árvore, sonham com as histórias de Leocádio.



Escrito por Vivi´s às 19h16
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   Espírito natalino

Tem presentes que a gente não esquece. Estávamos num momento “Memórias dos Natais da família jogo de louça” (meu sobrenome é Pires).

Acho que eu deveria ter no máximo cinco anos de idade. Ninguém soube precisar exatamente a data em que isso aconteceu. Pedi para o Papai Noel uma piscina de plástico. Na década de oitenta, você não era ninguém sem uma piscina de plástico. Ao menos na minha rua era assim.

Ainda não era nem meia noite quando ouvi a risada dele, o famoso ho-ho-ho. Corri para o portão. Meus olhos não acreditavam no que eu via. Era o Papai Noel. Até então nunca tínhamos nos encontrado. Ele deixava os presentes de madrugada, e eu ainda estava dormindo. Naquele ano ele foi ousado, apareceu pra mim.

Arrastava a tal piscina que eu havia pedido. Era simplesmente inacreditável ver um Papai Noel afro-descendente carregando uma piscina de plástico. Pouco me atentei ao detalhe racial do nosso Papai Noel, que nem tinha barriga, e era muito alto para o Papai Noel que eu idealizava. Ele poderia ser asiático que eu nem ligaria. Ele carregava a minha piscina!

No dia seguinte fiz meu pai montá-la. Ela foi a minha diversão naquele verão.

No ano seguinte eu ganhei a minha primeira bicicleta. Uma caloi cecizinha vermelha com rodinhas traseiras e cesto. A felicidade não cabia em mim quando a vi na sala. Passei a noite de Natal inteira rodando no quintal com ela. No dia seguinte fiz meu pai, ele mais uma vez, me levar ao parque.

Depois veio a perna de pau, o lango-lango, o pogo ball, a família coração, o boca rica, cara-cara, war, banco imobiliário, detetive e muitos outros brinquedos.

Aí eu cresci, deixei de acreditar em Papai Noel, e tudo aquilo que era muito legal, deixou de fazer parte do meu Natal.

Meu último presente surpreendente foi uma vitrola aos onze anos de idade.

Este ano depois da Stephane me encher muito o saco, eu escrevi um e-mail para o Papai Noel. Quando eu disse que tinha escrito o e-mail, ela morreu de rir. Disse que eu tinha que fazer cartinha. Ela não acredita mais, mas não dispensa uma cartinha para o “Papai Noel”. Quando ela me perguntou para qual e-mail eu tinha mandando, eu não pensei duas vezes, passei o e-mail da minha mãe.

Ela desacreditou. Riu, e disse: “Di, você é mais esperta que eu. Acho que vou mandar um e-mail para a mamãe”.

A ajudei a fazer o e-mail. Ainda anexamos as imagens dos brinquedos, para não restar dúvidas. No final ela ainda escreveu. “Eles parcelam em dez vezes sem juros no cartão de crédito!”. Rimos mais uma vez da nossa traquinagem.

E foi com os e-mails impressos que sentamos na sala, e conversamos durante horas sobre os Natais da nossa família.

Sabe, Papai Noel pode até não existir, mas hoje ele animou nossa reunião lembrando de quantas pessoas aqui de casa já pagaram o mico em vestir a fantasia vermelha.

Ah, descobri que o Papai Noel que me trouxe a piscina era um funcionário da minha mãe. Não deve ser fácil trabalhar com a Dona Augusta!

 

Dona Augusta e eu.



Escrito por Vivi´s às 01h20
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   ...

Porque deve existir alguma razão.

Sempre há algo melhor.

A vida é assim.

Deus sabe o que faz.

Vai passar.

Talvez não fosse o momento certo.

Vai aparecer algo bem melhor.

Deus escreve certo por linhas tortas.

Ainda vou escrever um guia “Console seu amigo com originalidade”.

Frases feitas não resolvem quando algo que você esperava muito, não acontece.

Por mais que elas sejam de coração, não adiantam. Só fazem com que a pessoa a ser consolada se sinta mais inútil. Tem coisa pior do que as pessoas sentirem pena de você?

Ser coitadinha é algo que definitivamente não combina comigo. E a frase mais clichê, que mais ajudou foi: “Sacode a poeira, e dá a volta por cima.”

Passei por um momento de crise, mas prometo voltar a escrever. Mas antes preciso ter alguma idéia ao menos razoável.



Escrito por Vivi´s às 12h11
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   A bela utopia

O casal conversava animadamente na mesa ao lado.

Ele devia ter no máximo dezenove. Ela com certeza dezoito.

Ele: Eu quero uma casa grande. Quero ter um labrador. O que você acha, amor?

Ela: Ah, pode ser. Eu posso ter um gato?

Ele: Claro, linda. A casa vai ser grande.

Ela: E eu quero ter um escritório. Afinal, terei terminado a faculdade. Vou precisa de espaço para as pranchetas e todo o meu material. Assim como você, lindo. Vamos ter dois escritórios.

Ele: Quero uma decoração bem simples. Nada de muita coisa empilhada no meio da casa. E faremos muitas festas.

Ela: Sim, podemos fazer um open house.

Ele: Nossa, mas falta tanto tempo, né? Você só quer casar depois dos vinte oito, quando tiver terminado a faculdade, e estabilizada. Se bem que eu também não pretendo casar antes da faculdade.

Ela: Dez anos, nossa! Como será a nossa vida?

 

Eu levantei e fui embora. Já vi este filme. Mas fiquei com inveja. Queria ter dezoito anos e ainda poder planejar a vida desta forma.



Escrito por Vivi´s às 02h12
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